Descida dos preços dos medicamentos e aumento dos custos de produção causam escassez no mercado

Estas conclusões vêm do estudo “Securing access, improving lives. Strengthening patients' access to off-patent medicines in Europe”, que foi realizado em 16 países europeus, e demonstra que esta situação coloca em risco o acesso dos doentes aos medicamentos.

Descida dos preços dos medicamentos e aumento dos custos de produção causam escassez no mercado
Foto cedida

O setor dos medicamentos tem vivido um ambiente “insustentável” desde 2020. Este ambiente foi criado pelo aumento dos custos de produção, que inclui a subida de 31,6% nos preços industriais, 25,7% na mão de obra e os aumentos dos custos dos materiais imprescindíveis à produção, e pela descida dos preços dos medicamentos.

Estas conclusões vêm do estudo “Securing access, improving lives. Strengthening patients’ access to off-patent medicines in Europe”, que foi realizado em 16 países europeus, e demonstra que esta situação coloca em risco o acesso dos doentes aos medicamentos.

Entre 2020 e 2024, o preço médio dos dez antibióticos essenciais mais vendidos caiu 10%, apesar dos aumentos acentuados nos custos da produção e na inflação. A amoxicilina registou uma descida de 19% no preço e foi afetada pela escassez generalizada.

Este tipo de medicamentos é essencial para tratar infeções bacterianas, sendo que quando os antibióticos de primeira linha não estão disponíveis, os doentes podem receber alternativas, “mas não ótimas”. “A disponibilidade de antibióticos é um fator crítico para combater infeções em tempo útil e combater a resistência antimicrobiana”, refere o estudo.

“Esta disparidade insustentável está a levar à saída de empresas do mercado, limitando ainda mais o acesso dos doentes a medicamentos essenciais”, revela o estudo.

O estudo destaca a “necessidade urgente de reformas nos sistemas nacionais de preços para proteger o acesso a esses medicamentos essenciais, que são fundamentais para a saúde pública e para o cuidado do doente”.

Margarida Bajanca, investigadora principal da New Angle, entidade que realizou o estudo, sublinha que “os antibióticos sem patente são uma base essencial dos cuidados de saúde, permitindo o tratamento de rotina de infeções e constituindo o padrão estabelecido para a profilaxia cirúrgica”.

“O nosso estudo mostra que, embora os preços continuem a cair, como resultado direto das regras de fixação de preços e aquisição pública, os custos de produção destes medicamentos estão a aumentar acentuadamente, ameaçando a sua viabilidade e disponibilidade a longo prazo. Sem reformas específicas — tais como ajustes de preços indexados à inflação, preços mínimos ou modelos de preços diferenciados —, os doentes em toda a Europa correm o risco de perder o acesso a estes tratamentos, o que poderia comprometer a saúde pública e acelerar a resistência aos antimicrobianos”, salienta.

“Exortamos os decisores políticos, os payers, os profissionais de saúde e os líderes da indústria a trabalharem em conjunto para implementar reformas que priorizem o acesso dos doentes e a resiliência do abastecimento”, continua.

Adrian van den Hoven, director general of Medicines for Europe, afirma que “precisamos de repensar o valor destes medicamentos para a sociedade e ter uma discussão aberta e crítica sobre se as nossas políticas de preços atuais estão a causar mais danos do que benefícios quando olhamos para as tendências gerais de consolidação do mercado”.

Já Fernanda Aleixo, head of policy & market access na Viatris Portugal, refere que as recomendações incluem “a indexação dos preços à inflação e aos custos de produção, de forma a garantir a viabilidade económica e a disponibilidade de medicamentos à medida que os custos aumentam”.

Relacionado

Lufthansa irá arcar com eventuais remédios diretamente para entrar na TAP, afirma Governo

Lufthansa irá arcar com eventuais remédios diretamente para entrar na TAP, afirma Governo

Respondendo a perguntas da líder parlamentar do PCP Paula Santos sobre a operação, Hugo Espírito Santo lembrou que “existe o compromisso de que o comprador irá arcar com os remédios regulatórios diretamente”, mas rejeitou especular sobre as condições e obrigações que o executivo comunitário possa vir a decidir enquanto guardião dos tratados europeus em matéria de concorrência.