Da Internet à Inteligência Artificial e de volta à caverna

No fim do dia, a escolha é simples: adaptar-se à realidade e aprender a lidar com as novas tecnologias para delas tirar o melhor proveito possível, ou cair no erro de virar as costas ao futuro.

Da Internet à Inteligência Artificial e de volta à caverna
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Agora sabemos como o PSD e o PS pensam defender os portugueses, proibindo. É isso que se comprometem a fazer, proibir o acesso às redes sociais pelos mais jovens e deixar aos pais a responsabilidade de educação apenas para depois dos 13 anos.

É certo que, em algumas matérias, a proibição é incontornável e, por vezes, a sua liberalização é nociva. Noutras situações, a proibição traduz-se em preguiça intelectual ou, pior, em má-fé política.

Esta decisão reflete a forma como a classe política em Portugal enfrenta a inovação. Vai também ao encontro do que parte da academia portuguesa defende nas universidades, demonstrada pela supostamente “honrosa” embora desesperada “battle against AI”, tentando banir o uso da Inteligência Artificial no meio académico. Não fosse o privilégio de estarmos aos ombros de gigantes, talvez fôssemos incapazes de ver mais à frente. Só assim é que poderíamos permanecer alheios ao poder disruptivo da inovação que, por mais pouco ortodoxa que seja, representa sobretudo uma vantagem altamente competitiva se aproveitada corretamente.

O desconhecido, da inteligência artificial às redes sociais, ou mesmo à internet como um todo, inquieta excessivamente o Governo e o restante do bloco central na Assembleia da República. No entanto, tudo indica que as mudanças arrojadas e a inovação vieram para ficar. A velocidade das inovações tecnológicas tem aumentado ao longo do século e, como todos os comboios que passaram, da Primeira Revolução Industrial à Internet, este também passará. Resta saber se escolhemos, mais uma vez, ficar de fora.

Falam em lançar Portugal no futuro e liderar na tecnologia, mas pedem-nos que andemos a cavalo. Em vez de ensinar e capacitar, escolhem limitar e proibir, como se nos preferissem estúpidos. Se as últimas gerações foram as mais bem preparadas de sempre, as próximas correm o risco de ficar para trás, conforme indica a mais recente medida do bloco central.

Talvez assim sejamos, verdadeiramente mais disruptivos no palco mundial. Enquanto uns exploram large language models, machine learning, análise de dados e criptomoedas, nós regressamos às cavernas.

No fim do dia, a escolha é simples: adaptar-se à realidade e aprender a lidar com as novas tecnologias para delas tirar o melhor proveito possível, ou cair no erro de virar as costas ao futuro.

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