CIP: “Só com Governo articulado com a indústria, Portugal beneficiará dos 10 mil milhões a investir em defesa”

A CIP organiza, esta terça-feira, 13, a conferência “Indústria da Defesa: Posicionar as Empresas Portuguesas” com o objetivo de debater as capacidades da indústria nacional com oportunidade para as empresas portuguesas.

CIP: “Só com Governo articulado com a indústria, Portugal beneficiará dos 10 mil milhões a investir em defesa”
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“Esta é uma oportunidade sem paralelo para Portugal construir uma economia de defesa em que a inovação seja o motor central do processo de criação de riqueza”, afirma Armindo Monteiro, presidente da Confederação Empresarial de Portugal (CIP) como mote para conferência “Indústria da Defesa: Posicionar as Empresas Portuguesas” que a confederação organiza esta terça-feira, 13 de outubro, na Amadora

O presidente da CIP sublinha que, uma vez o Governo articulado com a industria, o país pode beneficiar de 10 mil milhões para investir em defesa.

“Ao fazer as suas encomendas de material e de equipamento com fins militares, o Governo deve criar condições para que as empresas portuguesas possam participar, de forma competitiva, nas aquisições nacionais e nas cadeias de valor europeias e internacionais”, afirma Armindo Monteiro, em comunicado, acrescentando que  “neste esforço de investimento da União Europeia e de cada um dos estados-membros é fundamental que o Governo garanta condições equitativas para que as empresas portuguesas possam competir em pé de igualdade para fornecimentos em defesa, não só a Portugal, mas a outros países da União Europeia”

Numa parceria com a idD Portugal Defence, a conferência organizada pela CIP contará com a presença do ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo.

40 mil postos de trabalho no presente, mais 40 mil no futuro

De acordo com dados da Confederação, o setor da defesa representa atualmente, em Portugal, 40 mil postos de trabalho. “Se o Governo garantir a participação da indústria portuguesa nos grandes investimentos dos próximos anos, nomeadamente as fragatas para a Marinha, caças para a Força Aérea e viaturas blindadas para o Exército, há potencial para criar outros 40 mil empregos, dos quais 20 mil licenciados com salários que duplicam a média nacional.É uma oportunidade com tanto potencial, que a CIP está totalmente empenhada em que o Governo e as chefias militares conheçam as reais capacidades das empresas portuguesas para fornecerem soluções, sistemas e produtos para o setor da Defesa”, afirma Armindo Monteiro.

 

UE vai gastar 6,8 biliões nos próximos dez anos

A conferência na Academia Militar vai estar centrada no destino a dar ao investimento em defesa que, desde 2022 não tem cessado de crescer na Europa. Dos 343 mil milhões em 2024 (um aumento de 57% em apenas três anos), ultrapassou os 380 mil milhões de euros em 2025, o que corresponde a 2,1% do PIB da União Europeia nesse ano.

A CIP relembra 150 mil milhões de empréstimos disponíveis para investimentos estratégicos e aquisições no setor da Defesa no âmbito do programa SAFE

No futuro, o programa SAFE representa 150 mil milhões de empréstimos disponíveis para investimentos estratégicos e aquisições no setor da Defesa. De recordar que, em janeiro desde ano, a Comissão Europeia aprovou o plano de Portugal para aceder a 5,8 mil milhões de euros em empréstimos em condições favoráveis para investir em capacidade de defesa, investimento esse que terá de ser executados até 2030.

Além disso, a CIP recordar o Instrumento Europeu de Defesa Industrial (EDIP)que  disponibiliza 1,5 mil milhões de euros de financiamento direto para projetos de reforço industrial e desenvolvimento de capacidades críticas. A este montante somam-se 300 milhões de apoio à Ucrânia, o que permitirá a integração da indústria ucraniana em cadeias europeias e o desenvolvimento de soluções conjuntas. O Next Multiannual Financial Framework (MFF), para o período 2028-2034, inclui 451 mil milhões do Fundo Europeu de Competitividade, 131 mil milhões para Segurança, Defesa e Espaço, 175 mil milhões do Horizonte Europa; 1,7 mil milhões para a Mobilidade militar.

“A estes montantes acrescem os aumentos até 2035 dos gastos em defesa da larga maioria dos estados da União Europeia: 5% do PIB aplicados no pilar europeu da NATO (3,5% do PIB em capacidades militares + 1,5% do PIB em infraestruturas). No total, serão 6,8 biliões de euros nos próximos dez anos”, relembra a confederação presidida por Armindo Monteiro.

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