Canadá sublinha interesse em tornar-se “membro associado” da União Europeia

A afirmação de Carney deu sequência às declarações de apoio ao aprofundamento das relações entre o bloco e o Canadá, com recurso à mesma expressão, proferidas também esta quinta-feira pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e pelo presidente do Conselho Europeu, António Costa.

Canadá sublinha interesse em tornar-se “membro associado” da União Europeia
epa12664782 Canada Prime Minister Mark Carney speaks during a plenary session in the Congress Hall at the 56th annual meeting of the World Economic Forum (WEF) in Davos, Switzerland, 20 January 2026. The 2026 summit, running from 19 to 23 January and held under the theme 'A Spirit of Dialogue,' brings together global political leaders, corporate executives, and scientists to address international challenges. EPA/GIAN EHRENZELLER

Canadá insiste que está a “forjar uma nova aliança” com a União Europeia como “membro associado”, nos termos do primeiro-ministro canadiano, Mark Carney, apesar da oposição da Alemanha e da França à designação.

A afirmação de Carney deu sequência às declarações de apoio ao aprofundamento das relações entre o bloco e o Canadá, com recurso à mesma expressão, proferidas também esta quinta-feira pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e pelo presidente do Conselho Europeu, António Costa.

Primeiro Von der Leyen, depois Costa e, por fim, o próprio Mark Carney, defenderam publicamente a ideia no primeiro de dois dias da cimeira bilateral, que hoje chega ao fim.

“Estamos a forjar uma nova aliança, uma aliança para o futuro, com o Canadá como membro associado”, afirmou Carney antes de participar, em Montreal, numa mesa redonda com empresários canadianos e europeus.

Von der Leyen foi ainda mais explícita ao salientar que o Canadá não pode tornar-se membro de pleno direito da UE por razões geográficas, mas que ambas as partes pretendem elevar a relação “ao nível mais elevado possível”.

“É por isso que estamos a debater a ideia de o Canadá se tornar o primeiro membro associado da União Europeia”, declarou.

Costa apoiou a proposta de Von der Leyen, embora tenha deixado em aberto a possibilidade de, no final, se utilizar outra designação.

“A presidente Von der Leyen chegou mesmo a apresentar a ideia ousada de tornar o Canadá membro associado da União Europeia. Partilho da sua ambição”, afirmou.

O termo “membro associado”, que não existe no quadro da UE, continua a ser um dos pontos de atrito nas negociações entre os Vinte e Sete para finalizar a declaração conjunta da cimeira, que, segundo fontes a par das conversações consultadas pela agência EFE, conta com 46 pontos.

As fontes explicaram que a Alemanha se opõe a que a designação seja utilizada para o Canadá, pois considera que o conceito de membro associado deveria ser reservado à Ucrânia, enquanto a França recusa a expressão por considerar que Von der Leyen lançou a proposta sem consultar previamente os Estados-Membros, referiram as fontes.

Para além da discrepância “terminológica”, uma das fontes sublinhou que “o essencial é a elevação substantiva da relação que resulta da cimeira, os projetos — muitos deles já uma realidade — para a concretizar e a comunidade de valores”.

A nova aliança é fruto da transformação do panorama geopolítico e económico internacional, especialmente na fronteira sul do Canadá, onde o segundo mandato de Donald Trump revelou uns Estados Unidos mais interessados no protecionismo do que no multilateralismo.

O diagnóstico foi sublinhado esta quinta-feira pela ministra dos Negócios Estrangeiros do Canadá, Anita Anand, e pela alta representante da UE para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança, Kaja Kallas.

Anand salientou que o Canadá responde a essas mudanças reforçando alianças baseadas na “confiança, estabilidade e fiabilidade”. “Isto não tem a ver com nenhum outro país; tem a ver connosco”, afirmou a ministra.

Kallas concordou que a nova aliança “não é contra ninguém” e explicou que o atual contexto geopolítico obriga o Canadá e a Europa a identificar parceiros em quem possam confiar e a reduzir dependências potencialmente vulneráveis.

“Cada dependência, cada ligação que tenhas, certifica-te de que estás ligado a amigos, porque a outra parte também te pode fazer mal”, advertiu a diplomata estoniana.

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