Cabo-verdiano MpD encoraja Angola a implementar poder autárquico

“Penso que é fundamental levar o poder próximo do povo, porque o poder só faz sentido quando estamos a satisfazer as necessidades da população e quem está mais próximo da população é o poder autárquico e para mim é imperativo a implementação do poder autárquico”, afirmou hoje o presidente do grupo parlamentar do MpD, Celso Ribeiro, quando questionado pela Lusa sobre a importância do poder autárquico para Angola.

Cabo-verdiano MpD encoraja Angola a implementar poder autárquico
Angola

O Movimento para a Democracia (MpD, poder em Cabo Verde) exortou esta quinta-feira as autoridades angolanas a avançar com a implementação das autarquias, afirmando que o poder “só faz sentido” quando satisfaz as necessidades da população.

“Penso que é fundamental levar o poder próximo do povo, porque o poder só faz sentido quando estamos a satisfazer as necessidades da população e quem está mais próximo da população é o poder autárquico e para mim é imperativo a implementação do poder autárquico”, afirmou o presidente do grupo parlamentar do MpD, Celso Ribeiro, quando questionado pela Lusa sobre a importância do poder autárquico para Angola.

Em declarações na cidade do Luena, província angolana do Moxico, onde participa como orador no segundo e último dia das XIII Jornadas Parlamentares da UNITA (maior partido da oposição angolana), o político cabo-verdiano recordou que o seu país tem experiência autárquica de 34 anos.

“Foi a nossa experiência e a nossa visão sobre o poder autárquico [que apresentámos aqui], considerando ser fundamental para o desenvolvimento de qualquer país, por ser o poder que está mais próximo da população”, argumentou.

Celso Ribeiro falou sobre “A Importância das Autarquias Locais no Desenvolvimento Local – a experiência de Cabo Verde” nestas jornadas do grupo parlamentar da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA).

Nos debates, onde foi igualmente orador o deputado e vice-presidente da UNITA, Álvaro Chikwamanga, a audiência, composta por políticos, membros da sociedade civil, estudantes e autoridades tradicionais, defendeu a implementação das autarquias nas 21 províncias angolanas.

Para o político do MpD, “ficou claro” nas intervenções, sobretudo dos representantes da sociedade civil, que têm noção clara da importância e da necessidade da implementação do poder autárquico em Angola.

Defendeu, por isso, que as ideias e pretensões da sociedade civil angolana “devem ser analisadas com toda a naturalidade” e dar importância à sua visão.

O político cabo-verdiano afirmou ainda, na sua exposição, que as autarquias demonstraram, no seu país, que a descentralização não é fragmentação, “como muitas vezes podem querer passar”. Antes pelo contrário, salientou, “fortalece-o por estar mais próximo da população, não divide a riqueza, mas multiplica e distribui com maior justiça territorial”.

Concluiu defendendo o municipalismo como pilar essencial do desenvolvimento humano, da coesão económica, social e territorial e do reforço do Estado de direito e democrático.

O parlamento angolano já aprovou várias propostas de lei, de iniciativa do Presidente angolano, João Lourenço, sobre as autarquias locais, faltando apenas aprovar a lei sobre a sua institucionalização, a partir das propostas do Presidente angolano e da UNITA que foram agregadas numa só e que aguardam por discussão na especialidade.

O grupo parlamentar do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA, no poder) reafirmou, em janeiro de 2025, o seu compromisso com a institucionalização das autarquias locais, referindo que estas continuam a ser “um imperativo” da agenda política do partido que governa Angola.

*** A Lusa viajou para o Moxico a convite do grupo parlamentar da UNITA ***

Relacionado

Auditorias do fisco ao setor extrativo moçambicano apuram 137,4 milhões de euros

Auditorias do fisco ao setor extrativo moçambicano apuram 137,4 milhões de euros

Em comunicado sobre as atividades realizadas entre janeiro e 30 de setembro de 2026 no setor extrativo, a AT destaca resultados na fiscalização, arrecadação de receitas e acompanhamento das operações mineiras e petrolíferas, referindo que as auditorias efetuadas a empresas daquele setor permitiram apurar cerca de 10,2 mil milhões de meticais (137,4 milhões de euros).