Cabo Verde: PAICV à frente do país nos próximos cinco anos

Após duas décadas na bancada da oposição, o histórico partido de Amílcar Cabral voltou a vencer as eleições com maioria absoluta.

Cabo Verde: PAICV à frente do país nos próximos cinco anos
Francisco Carvalho, líder do PAICV

O Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV) prepara-se para formar Governo após ganhar as eleições legislativas de domingo passado.

Com 37 dos 72 mandatos da Assembleia Nacional, o histórico partido cabo-verdiano regressa ao poder com maioria absoluta, com o Movimento pela Democracia (MpD) a ocupar a bancada da oposição após dois mandatos consecutivos a governar.

O PAICV regressa ao poder com Francisco Carvalho, líder do partido desde maio de 2025, como primeiro-ministro. Em entrevista à Televisão de Cabo Verde (TCV), o governante confirmou que o Executivo já está constituído, tendo sido assegurada uma “combinação de competências, experiências e gerações”. É esperado que o número de Ministérios – são 15 no Governo atual -, seja revisto, uma vez que Francisco Carvalho fez saber durante a campanha que previa diminuir o número de gabinetes de ministros.

No rescaldo das eleições, o secretário-geral do PAICV, Vladmir Ferreira, sublinhou em declarações ao Jornal Económico (JE) que as propostas de Francisco Carvalho “foram acolhidas e compreendidas pela maioria dos cabo-verdianos”, o que quer “dizer que o governo cessante estava em fim de ciclo, ou seja, que já não conseguia atender às reais e legítimas expectativas” da população.

“Tudo o que propomos é baseado no real pulsar do país, nas reais expectativas dos cabo-verdianos, mas também nos dados das ineficiências, os gastos supérfluos e um conjunto de outras coisas ao nível da governação que nós podemos melhorar”, acrescentou o também docente e investigador da Universidade de Cabo Verde (Uni-CV).

A promoção do emprego e o desenvolvimento do setor primário – agricultura, pesca e pecuária – estão entre as prioridades do novo Governo, que deverá tomar posse em menos de um mês. A estratégia envolve a criação do banco “Agro Azul” para financiar o setor primário.

Francisco Carvalho, ainda presidente da Câmara Municipal da Praia, capital de Cabo Verde, admitiu a intenção de implementar um programa de financiamento a nível nacional, reproduzindo um modelo adotado pela autarquia que já apoiou mais de 300 jovens, fez saber naquela que foi a primeira entrevista após as eleições.

Virando mais uma página nos registos da alternância governativa do país, os dois partidos voltam a trocar de lugar, com o bipartidarismo a sair reforçado das oitavas eleições legislativas desde o início do multipartidarismo no país, em 1990.

O MpD, que venceu esse primeiro ato eleitoral em 1991, viu nestas eleições legislativas o número de mandatos cair dos 38 conquistados em 2021 (50,4%) para 33. O partido União Cabo-Verdiana Independente e Democrática (UCID), conseguiu dois mandatos, menos dois do que em 2021; o Partido do Trabalho e da Solidariedade (PTS) e o Partido Popular (PP) não elegeram nenhum deputado.

Ulisses Correia e Silva, primeiro-ministro cessante e presidente do MpD, anunciou a sua demissão durante o discurso da derrota. Orlando Dias, deputado pelo círculo eleitoral de África, é o primeiro candidato à liderança.

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