BCP dispara 12,6% os lucros até setembro para 873,7 milhões

O banco liderado por Miguel Maya registou um resultado líquido consolidado de 873,7 milhões de euros nos primeiros nove meses de 2026, uma subida de 12,6% face aos 775,9 milhões do período homólogo, impulsionado pelo desempenho da atividade em Portugal e pela redução das provisões associadas aos créditos hipotecários em francos suíços na Polónia.

BCP dispara 12,6% os lucros até setembro para 873,7 milhões
O presidente executivo do Millennium bcp, Miguel Maya, intervém durante uma conferência de imprensa de apresentação dos resultados 1.º semestre de 2026, no Taguspark, em Oeiras, 29 de julho de 2026. RODRIGO ANTUNES/LUSA

O maior banco privado nacional acaba de anunciar um resultado líquido consolidado de 873,7 milhões de euros nos primeiros nove meses de 2026, uma subida de 12,6% face aos 775,9 milhões do período homólogo, impulsionado pelo desempenho da atividade em Portugal e pela redução das provisões associadas aos créditos hipotecários em francos suíços na Polónia.

No grupo a rendibilidade dos capitais próprios (ROE) do grupo fixou-se em 14,9%, contra 14,6% um ano antes, e a dos capitais próprios tangíveis (ROTE) em 15,5%, face a 15,2%.

O resultado antes de impostos subiu 20,8%, para 1.451,2 milhões de euros, mas os impostos sobre lucros aumentaram 39,5%, para 442,5 milhões.

O motor do BCP continua a ser Portugal, já que a atividade em Portugal contribuiu com 727,9 milhões de euros, mais 11,2% do que os 654,5 milhões de há um ano.

O banco liderado por Miguel Maya registou na operação internacional uma subida de 21,8% para 261 milhões. Neste capítulo, o destaque vai inteiramente para a Polónia, onde o Bank Millennium vê o lucro disparar 26,8% para 190,8 milhões, impulsionado sobretudo pela forte redução de 64,3% nos encargos com a carteira de crédito hipotecário em francos suíços.

As operações internacionais lucraram 281,0 milhões de euros antes de interesses que não controlam (+21,8%) e contribuíram com 145,8 milhões depois de minoritários para os lucros consolidados, mais 20,0%. O Bank Millennium, na Polónia, registou 259,7 milhões de euros, uma subida de 29,6% sem efeito cambial (28,5% com efeito cambial), apesar do aumento da taxa de imposto sobre a banca polaca, de 19% para 30%. O Millennium BIM, em Moçambique, viu o resultado descer de 25,4 milhões para 16,8 milhões de euros, condicionado pela situação financeira do país. Em Angola, a participação no Banco Millennium Atlântico rendeu 4,5 milhões de euros.

O impacto da carteira de créditos hipotecários em moeda estrangeira na Polónia caiu 64,4%, para 135,5 milhões de euros, face a 380,2 milhões nos primeiros nove meses de 2025. A provisão para riscos legais constituída pela filial foi 218,4 milhões de euros inferior à do ano anterior, ficando em 136,6 milhões. O banco constituiu ainda 37,6 milhões de euros em provisões para eventuais custos da litigância de proteção dos consumidores.

Margem financeira sobe 5,8% e comissões 5%

A margem financeira do grupo aumentou 5,8%, para 2.293,0 milhões de euros. Em Portugal subiu 13,9%, para 1.133,3 milhões, beneficiada pelo crescimento do crédito, pela descida do custo dos depósitos e por maiores rendimentos da carteira de dívida pública, com a taxa de margem financeira a passar de 2,10% para 2,26%. Nas operações internacionais recuou 1,0%, para 1.159,7 milhões de euros, penalizada pelas descidas das taxas de juro na Polónia, onde o banco central cortou os juros de referência em 200 pontos base desde o início de 2025. A taxa de margem financeira internacional desceu de 4,37% para 3,83% e a do grupo de 2,92% para 2,85%.

As comissões líquidas cresceram 5,0%, para 660,4 milhões de euros, com a atividade em Portugal a subir 4,1% (484,5 milhões) e a internacional 7,7% (175,9 milhões). O banco destaca o aumento de 12,5% nas comissões de bancassurance e de 17,8% nas de gestão e distribuição de ativos.

Os resultados em operações financeiras subiram de 80,7 para 107,4 milhões de euros, em Portugal por ganhos com a venda de ativos legacy resultantes da recuperação de crédito não produtivo. O produto bancário aumentou 6,0%, para 2.993,1 milhões de euros, com Portugal a avançar 11,4%, para 1.672,4 milhões, e a atividade internacional praticamente estável (-0,2%), nos 1.320,6 milhões.

Os custos operacionais aumentaram 5,3%, para 1.087,0 milhões de euros, com Portugal a subir 5,8% (547,9 milhões) e a atividade internacional 4,8% (539,1 milhões). Os custos com pessoal subiram 3,8%, os outros gastos administrativos 6,7% e as amortizações 8,8%. Como os proveitos core cresceram mais do que os custos, o rácio cost-to-income do grupo melhorou de 36,6% para 36,3%. Excluindo itens específicos, desceu de 36,4% para 36,1%. Em Portugal, o rácio, sem esses itens, passou de 34,3% para 32,3%, enquanto nas operações internacionais subiu de 38,9% para 40,8%.

Custo do risco sobe para 34 pontos base

O custo do risco do grupo, líquido de recuperações, subiu de 31 para 34 pontos base, já que as imparidades de crédito aumentaram 18,8%, para 167,5 milhões de euros. Em Portugal o indicador desceu de 33 para 32 pontos base, enquanto nas operações internacionais subiu de 26 para 38 pontos base, em parte por a venda de crédito na Polónia ter tido maior impacto no ano passado. As outras imparidades e provisões recuaram 35,7%, para 285,7 milhões de euros, mas em Portugal passaram de 10,2 milhões para 37,7 milhões, o que o banco justifica com uma “perspetiva conservadora” face ao contexto de incerteza.

O stock de crédito não produtivo (NPE) recuou 157 milhões de euros num ano, ou 9,8%, para 1.442 milhões, dos quais 711 milhões em Portugal (menos 92 milhões). O rácio de NPE desceu de 2,6% para 2,2% no grupo e de 1,9% para 1,5% em Portugal, enquanto o rácio de NPL a mais de 90 dias baixou de 1,3% para 1,1%. A cobertura dos NPE por imparidades subiu de 86,8% para 97,1%, e em Portugal de 95,5% para 109,9%.

Contribuições do setor bancário duplicam em Portugal

Os encargos com contribuições obrigatórias em Portugal passaram de 20,4 milhões para 42,2 milhões de euros, num efeito de base: em 2025 o banco tinha reconhecido 18,6 milhões de euros de proveitos relativos ao Adicional de Solidariedade sobre o Setor Bancário pago entre 2020 e 2022, após o Tribunal Constitucional ter declarado o regime inconstitucional.

A contribuição sobre o setor bancário subiu de 28,6 para 31,3 milhões de euros e a contribuição para o Fundo de Resolução Nacional de 10,2 milhões para 10,7 milhões, apesar de a taxa ter descido de 0,049% para 0,047%.

A contribuição para o fundo de garantia de depósitos manteve-se em 0,3 milhões. O Conselho Único de Resolução decidiu não cobrar contribuições ex-ante em 2026, segundo o BCP.

Na Polónia, as contribuições obrigatórias totalizaram 100,2 milhões de euros (101,9 milhões em 2025): o fundo de resolução custou 27,4 milhões, mais de 50% acima do ano anterior, o imposto especial sobre a banca subiu de 71,0 milhões para 72,9 milhões, e deixou de haver contribuição para o fundo de garantia de depósitos, que tinha sido de 13,0 milhões. No total do grupo, as contribuições obrigatórias subiram de 123,0 milhões para 143,1 milhões de euros.

Crédito cresce 7,8% e recursos de clientes 7,1%

No balanço o crédito a clientes bruto aumentou 7,8%, para 66.174 milhões de euros. Em Portugal subiu 7,8%, para 45.907 milhões, com o crédito performing a crescer 3.420 milhões, o crédito à habitação 10,1% (23.234 milhões), o crédito pessoal 11,0% (2.931 milhões) e o crédito a empresas 4,8% (19.743 milhões). Na atividade internacional o crédito subiu 7,9%, para 20.266 milhões, com o crédito a empresas a avançar 21,8%.

Os recursos totais de clientes cresceram 7,1%, para 116.256 milhões de euros, dos quais 94.650 milhões de recursos de balanço (+6,6%), e os depósitos e outros recursos de clientes subiram 6,1%, para 92.718 milhões. Os recursos fora de balanço aumentaram 9,6%, para 21.606 milhões. Em Portugal, os recursos totais subiram 5,8%, para 77.187 milhões, e nas operações internacionais 9,8%, para 39.069 milhões. O ativo total fixou-se em 114.170 milhões de euros (+4,8%).

Já no que toca ao rácio de capital CET1 fully implemented ascende a 15,2%, face a 15,9% um ano antes, e o phased-in é de 15,3%, contra 16,1%, ambos acima do requisito SREP de 10,64%.

O rácio de capital total ficou em 20,0%, face a 19,9%, para um requisito de 15,09%. Os rácios incluem 10% dos resultados do período, a dedução de 407,5 milhões de euros do programa de recompra de ações em curso e o impacto de cerca de 30 pontos base da titularização sintética de uma carteira de crédito a empresas em Portugal, concluída em setembro. Sem qualquer distribuição, o CET1 seria de 16,9%.

Até 23 de outubro, o banco tinha adquirido 297.557.006 ações próprias, por 329,4 milhões de euros, equivalentes a 2,01% do capital.

O rácio de alavancagem situou-se em 6,1%.

Na liquidez, o rácio de cobertura (LCR) subiu para 330%, de 321%, o rácio de financiamento estável líquido (NSFR) manteve-se em 180% e o rácio de transformação (crédito líquido sobre depósitos) aumentou de 68,7% para 69,9%.

 

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