O caso que está a abalar a maior operadora de telecomunicações nacional traz à memória outro escândalo, de há quase uma década, que envolveu a mesma empresa e que abriu caminho à sua compra pelo grupo Altice.
Foi uma Portugal Telecom ferida de morte após o investimento ruinoso em dívida de um dos seus acionistas, o Grupo Espírito Santo, que o grupo Altice comprou em 2015. Na altura, um dos protagonistas do atual escândalo, Hernâni Vaz Antunes, deu nas vistas por ter exigido o pagamento de uma comissão de 70 milhões de euros que entendeu que lhe era devida pelo seu papel como intermediário na compra da empresa.
Oito anos depois, a história parece repetir-se e temos mais uma vez uma empresa que desempenha um papel fundamental na economia portuguesa a ser abalada por um escândalo de corrupção.
É tempo de refletir nas razões que explicam este estado de coisas, e que vão desde a escassez crónica de capital em Portugal à pouca importância que continua a ser dada às regras de boa governança, que deviam ser uma prioridade para as empresas portuguesas, independentemente da sua dimensão.
Esperemos que a justiça seja célere e que a Altice Portugal possa continuar a desempenhar um papel relevante na nossa economia, independentemente da estrutura acionista que venha a ter no futuro.