João Gonçalves Pereira, Administrador de Empresas

A grande oportunidade UE-Mercosul

A intenção política e comercial desta cimeira visa reforçar a importância que a União Europeia dá à necessidade de uma nova parceria com a América Latina.

O acordo UE-Mercosul tem tido nos últimos anos vários avanços e recuos.  Em 2019 foram concluídas as negociações do acordo comercial, mas a sua ratificação ficou paralisada por causa das reservas ambientais e também por receios comerciais de alguns países europeus.

Quando escrevo este artigo de opinião, a espectativa é grande na cimeira da União Europeia com países da América Latina e do Caribe (CELAC), para que se consiga um impulso definitivo na conclusão do acordo comercial da Europa com o Mercosul.

A cimeira UE-CELAC já não se realizava há oito anos e é uma iniciativa que acontece por insistência de Espanha e de Portugal, que são os dois estados europeus que mais relevância dão às elações com a América Latina.

É muito provável que o acordo UE-Mercosul seja possível até ao final do ano, ainda sob a presidência espanhola do Conselho da União Europeia. Este acordo tem evidentemente ganhos comuns, mas também é importante ter consciência que comporta vários riscos de parte a parte para os signatários.

O Mercosul, é o “Mercado Comum do Sul”, uma organização intergovernamental regional fundada a partir do Tratado de Assunção em 26 de março de 1991, que agrega a Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai e Venezuela. mais cinco países associados: Chile, Bolívia, Colômbia, Equador e Peru.

Se atendermos aos números, verificamos a enorme dimensão do acordo UE-Mercosul que abrange 25% da economia global e 780 milhões de pessoas, quase 10% da população do mundo. Toda a região da América Latina e Caraíbas é responsável por 14% da produção mundial de alimentos e 45% do comércio agroalimentar internacional líquido, assim como representa mais de 50% da biodiversidade do planeta.

Mas nem tudo é pacifico, e um dos pontos de divergência e que ainda está a ser negociado tem a ver com um documento que a União Europeia apresentou com penas para o desmatamento e agressões ao meio ambiente, o que levou a que os líderes sul-americanos estejam a preparar uma contraproposta ao documento da União Europeia. Outro ponto defendido pela União Europeia, e que não é consensual, são as sanções contra a Rússia após a invasão na Ucrânia.

A intenção política e comercial desta cimeira visa reforçar a importância que a União Europeia dá à necessidade de uma nova parceria com a América Latina, no contexto geopolítico que saiu da pandemia e da guerra na Ucrânia, que expuseram as excessivas dependências da Europa em relação à Rússia e à China, em termos de abastecimento de produtos industriais e de matérias-primas.

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