Ligação entre ciência e empresas é mais fraca em Portugal do que nas economias mais avançadas da UE

Apenas 6% dos doutorados em Portugal trabalham em empresas privadas, revela estudo que integra o Dossier Investigação e Inovação em Portugal e Espanha do Observatório Social da Fundação ”la Caixa”, com a colaboração do BPI.

Ligação entre ciência e empresas é mais fraca em Portugal do que nas economias mais avançadas da UE
A sua carta de condução é anterior a janeiro de 2013? Saiba quando deve renová-la

O limitado envolvimento do sector empresarial na investigação continua a ser um desafio para Portugal, bem como as condições de trabalho precárias dos investigadores e a falta de oportunidades de emprego nas empresas. Esta é uma das principais conclusões do estudo Recursos Humanos para Investigação em Portugal e Espanha, realizado pelos investigadores Tiago Santos Pereira, da Universidade de Coimbra, Cláudia Sarrico, da Universidade do Minho, Laura Cruz Castro e Luis Sanz Menéndez, do IPP-CSIC, e integra o Dossier Investigação e inovação em Portugal e Espanha do Observatório Social da Fundação ”la Caixa”, com colaboração do BPI.

Apesar da melhoria no que se refere ao número de investigadores, a participação de Portugal no total de investigadores da União Europeia a 27 diminuiu nos últimos dez anos. Segundo o estudo, o principal desafio consiste, assim, em aumentar o número de investigadores que trabalham no sector privado, porque a I&D nas empresas promove a inovação.

As despesas do sector privado em I&D e a contratação de investigadores por parte das empresas estão interrelacionadas e dependem das estruturas industriais de cada país, explica, e nesse sentido, Portugal está a ficar para trás em comparação com os parceiros europeus, dado que a maioria dos investigadores está concentrada no sector do ensino superior.

A despesa empresarial em I&D (BERD) em percentagem do PIB em Portugal é cerca de metade da média da UE-27. De referir que a média da UE é de 1,46% do PIB e fica bastante aquém da média dos Estados Unidos: 2,05% e do Japão: 2,60%.

Resultado? Existe, segundo o estudo, “o risco de o desequilíbrio na oferta e procura de investigadores poder levar à emigração destes trabalhadores altamente qualificados, se não conseguirem encontrar oportunidades de desenvolvimento de carreira no seu país”, repetindo, em certa medida, o que ocorreu após a crise financeira global de 2008.

“As políticas de recuperação implementadas para o período pós-pandemia de Covid-19, que também afetou o sistema de investigação e inovação, oferecem uma excelente oportunidade para melhorar a procura de recursos humanos em Ciência e Tecnologia. Estas políticas são fundamentais para garantir que Portugal não enfrenta continuamente uma fuga de cérebros”, propõe-se.

 

Cooperação Ciência-empresas

O Dossier Investigação e Inovação em Espanha e Portugal do Observatório Social da Fundação “la Caixa” inclui um segundo estudo: Ligações Ciência-Empresas em Portugal e Espanha: um potencial de inovação inexplorado?, realizado por Manuel Mira Godinho e Joana Mendonça, da Universidade de Lisboa, José Guimón, da Universidade Autónoma de Madrid, e Catalina Martínez, do IPP-CSIC.

Este relatório salienta que as ligações entre ciência e empresas em Portugal são mais fracas do que noutras economias mais avançadas da União Europeia. O impacto pode ser medido através da análise das patentes produzidas pelas universidades e organismos públicos de investigação.

Além disso, o estudo refere ainda que Portugal tem de enfrentar o desafio da limitada empregabilidade dos doutorados no sector privado, uma vez que apenas cerca de 6% dos doutorados em Portugal trabalham em empresas privadas.

O país enfrenta um grande dilema, dado que, salienta o estudo, “a cooperação ciência-empresas e as parcerias público-privadas serão cruciais para Portugal conseguir absorver eficazmente os novos fluxos de financiamento europeus” disponíveis no contexto do Plano de Recuperação Next Generation EU da Comissão Europeia.

 

Relacionado

BPI já utilizou 354 milhões dos 500 milhões da garantia pública para crédito à habitação

BPI já utilizou 354 milhões dos 500 milhões da garantia pública para crédito à habitação

Maria Teixeira Alves2 Nov
A CFO, Susana Trigo Cabral, indicou que o BPI tem 500 milhões de euros de dívida pública francesa em valor nominal, com maturidade inferior a três anos e meio, no âmbito da gestão de liquidez, e está contabilizada "Hold to Maturity". Sobre o risco de austeridade em França, o CEO recusou fazer prognósticos, mas admitiu que um problema num país com a importância da França seria “um grande desafio para a Europa” e exigirá “muita cautela” na gestão das empresas e das famílias.
BPI vai ajudar Estado a identificar zonas onde as principais cidades poderão crescer, diz CEO

BPI vai ajudar Estado a identificar zonas onde as principais cidades poderão crescer, diz CEO

Maria Teixeira Alves2 Nov
O banqueiro revelou que o BPI vai “em breve” dar um contributo à sociedade com a identificação de zonas onde as principais cidades poderão crescer, aproveitando infraestruturas já existentes. Defendeu que o Governo deveria chamar os principais atores e montar um plano “em tempo recorde”, e que a oposição, o Governo, as autarquias e o setor privado se juntem “num propósito comum”.