Uma delegação do governo chinês foi barrada pelas autoridades da Câmara dos Comuns para entrar em Westminster Hall, onde a rainha Isabel II está a ser velada até ao funeral, agendado para amanhã.
Segundo o Politico, a presidente da Câmara dos Comuns, Lindsay Hoyle, disse a colegas que recusou um pedido para que as autoridades chinesas possam entrar no edifício, o que promete dar início a um novo conflito diplomático entre Londres e Pequim. No entanto, o gabinete de Hoyle não se quis pronunciar publicamente sobre o caso.
Todos os chefes de Estado que vão viajar até Londres para o funeral da Rainha foram convidados a comparecer no velório e assinar o livro de condolências na Lancaster House, mas o Westminster Hall faz parte do Palácio de Westminster, onde quem tem autoridades são os membros da Câmaras dos Comuns e dos Lordes.
Em 2021, os oradores de ambas as Câmaras proibiram o embaixador chinês, Zheng Zeguang, de entrar no parlamento depois de Pequim ter imposto sanções a vários políticos britânicos que criticaram o tratamento dado aos muçulmanos uigures em Xinjiang. A proibição ainda está em vigor, uma vez que as sanções se mantêm.
Na altura, Hoyle disse que era inapropriado que o embaixador chinês estivesse no edifício “quando o seu país impôs sanções” contra alguns dos membros da Câmara dos Comuns, uma decisão que não foi contrariada pelo governo britânico, que disse que o acesso ao parlamento é uma questão para as autoridades parlamentares decidirem.
No entanto, há dúvidas de que os oradores das Câmaras dos Comuns e dos Lordes tenham autoridade total sobre o acesso ao Westminster Hall durante as cerimónias fúnebres da rainha, uma vez que o Palácio de Buckingham está envolvido na logística.
Ainda assim, está aberta a possibilidade de a delegação do governo chinês compareça no funeral da rainha na segunda-feira, na Abadia de Westminster, embora estejam impedidos de entrar no Westminster Hall a poucos metros de distância.
Os convites para o funeral da rainha foram elaborados pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros, da Commonwealth e do Desenvolvimento na semana passada. o presidente chinês Xi Jinping foi convidado, mas não deverá comparecer oficialmente. No seu lugar deverá ir o vice-presidente Wang Qishan, de acordo com o South China Morning Post.
A postura do governo do Reino Unido em relação à China deverá endurecer nos próximos meses, pois Liz Truss, deu a entender durante os debates antes das eleições que será mais agressiva em relação a Pequim do que o seu antecessor, Boris Johnson, tendo sugerido o reconhecimento formal do tratamento dado aos uigures como genocídio.
Durante os debates, Truss atacou o rival Rishi Sunak por este defender laços económicos mais estreitos com a China. Antes, como ministra dos Negócios Estrangeiros, convocou o embaixador chinês devido a agressão de Pequim a Taiwan, referindo que o “comportamento e a retórica cada vez mais agressivos de Pequim nos últimos meses ameaçam a paz e a estabilidade na região”.