O segundo dia da reunião de ministros das Finanças e governadores de bancos centrais do G7, em Paris, terminou com um compromisso firme com a cooperação multilateral, mas também evidenciou divisões assinaláveis entre os Estados Unidos e seus aliados europeus. Outra coisa seria difícil de assinalar-se, dado que os Estados Unidos são neste momento um agente ativo contra o multilateralismo, enquanto que os restantes países presentes no encontro – que também contou com o bloco da União Europeia – estão do outro lado do problema.
As discussões centraram-se na instabilidade económica global decorrente da guerra no Médio Oriente, desde logo no que tem a ver com o Estreito de Ormuz. O G7demonstrou unidade na urgência de reabrir aquela via marítima, bloqueada devido ao conflito. Os ministros alertaram para o forte impacto secundário na segurança alimentar global devido à escalada de preços da energia e dos fertilizantes. Os líderes concordaram na necessidade de redesenhar os sistemas energéticos para reduzir a dependência global do petróleo proveniente do Golfo.
Também houve consenso sobre a necessidade de o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial intensificarem os esforços de ajuda aos países mais vulneráveis a estes choques geopolíticos.
Apesar do comunicado conjunto apelar à estabilidade económica, o ministro das Finanças francês, Roland Lescure, admitiu que as negociações foram “por vezes difíceis e diretas”, principalmente devido às posições da administração norte-americana liderada por Donald Trump.
Os países europeus manifestaram descontentamento com a decisão dos Estados Unidos de prolongar por mais 30 dias a isenção de sanções para permitir a venda de petróleo russo. A Europa defende o reforço da pressão sobre Moscovo, enquanto o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, justificou a medida como temporária e necessária para estabilizar o mercado de crude.
Por outro lado, o espetro de um possível aumento de tarifas alfandegárias sobre automóveis europeus por parte de Washington continuou a pairar sobre as conversações comerciais.
Reunidos em Paris sob presidência francesa, os responsáveis económicos das principais economias industrializadas advertiram ainda no comunicado conjunto que a incerteza global aumentou como consequência do conflito no Médio Oriente, especialmente pelos efeitos nas cadeias de fornecimento de energia, alimentos e fertilizantes.
“O crescimento e a inflação estão expostos a riscos crescentes”, assinalaram os ministros e governadores de bancos centrais do G7 (Estados Unidos, Alemanha, França, Reino Unido, Itália, Canadá e Japão) que defenderam a necessidade de respostas coordenadas e temporárias para proteger a atividade económica, reforçar a segurança económica e limitar o impacto sobre os países mais vulneráveis. Os bancos centrais, associados às discussões, indicaram novamente estar “firmemente determinados a manter a estabilidade dos preços e a assegurar a resiliência duradoura do sistema financeiro”.
“A política monetária continuará a depender dos dados: os bancos centrais acompanham de perto o impacto das tensões nos preços da energia e das outras matérias-primas na inflação, nas expectativas de inflação e na atividade económica”, acrescenta esta declaração.
O encontro ao nível dos ministros e dos governadores dos bancos centrais serve de preparação para a Cimeira de Líderes do G7, que se realizará de 15 a 17 de junho em Évian-les-Bain, França – país que detém a presidência rotativa do grupo ao longo de 2026.