Presidente do Parlamento Europeu diz que “bom senso” dos EUA prevaleceu

“Como vimos após o aumento das tensões esta semana, podemos dizer, por agora, que o bom senso prevaleceu e podemos afirmar com toda a segurança que não assistimos a qualquer ataque à soberania da Dinamarca ou da Gronelândia, nem à sua integridade territorial”, declarou Roberta Metsola.

Presidente do Parlamento Europeu diz que “bom senso” dos EUA prevaleceu
Roberta Metsola

A presidente do Parlamento Europeu considerou hoje que o “bom senso prevaleceu”, com o recuo dos Estados Unidos nas ameaças tarifárias, anunciando a continuação das “discussões internas” sobre o acordo comercial UE-EUA, que haviam sido suspensas.

“Como vimos após o aumento das tensões esta semana, podemos dizer, por agora, que o bom senso prevaleceu e podemos afirmar com toda a segurança que não assistimos a qualquer ataque à soberania da Dinamarca ou da Gronelândia, nem à sua integridade territorial”, declarou Roberta Metsola.

Falando à chegada da reunião extraordinária do Conselho Europeu, em Bruxelas, a líder da assembleia europeia apontou que, “para já, a escalada foi afastada”, pelo que “se podem retomar as discussões internas [na assembleia europeia] sobre o comércio entre a UE e os EUA, que tinham sido afetadas pela iminente ameaça de tarifas”.

“Assim, irei dar seguimento a este processo juntamente com os meus colegas. Para avançar, estamos igualmente a trabalhar com os nossos colegas nos parlamentos e no Congresso, para que os dois poderes legislativos possam colaborar na procura de soluções através do diálogo”, elencou Roberta Metsola.

O Parlamento Europeu recusou ratificar o acordo comercial entre Bruxelas e Washington alcançado no verão passado enquanto persistirem as ameaças do Presidente norte-americano sobre a Gronelândia e de aplicar tarifas a países europeus.

Já sobre o envio para o Tribunal de Justiça da UE do acordo entre a União e o Mercosul, conforme votação na quarta-feira, a responsável pediu “que não se dramatize excessivamente”.

“Não se tratou de uma votação sobre o consentimento. Foram apenas clarificações jurídicas, algo que está plenamente dentro das prerrogativas do Parlamento, conforme o Tribunal de Justiça. Assim que essas clarificações forem dadas, avançaremos com o consentimento e, quanto à aplicação provisória, trata-se de uma prerrogativa […] e a aplicação provisória é uma opção em cima da mesa”, adiantou Roberta Metsola.

Os líderes da União Europeia reúnem-se hoje numa cimeira extraordinária em Bruxelas para discutir as relações transatlânticas após ameaças dos Estados Unidos, entretanto retiradas, de impor tarifas a países que se opõem às intenções norte-americanas sobre a Gronelândia.

No encontro de alto nível, os chefes de Governo e de Estado dos 27 do bloco europeu – incluindo o português, Luís Montenegro – vão tentar enviar um sinal político forte de unidade, sublinhando que a soberania territorial e a lei internacional são princípios fundamentais da política externa da UE, face às intimidações sobre a Gronelândia, um território autónomo da Dinamarca.

No passado fim de semana, o Presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou tarifas (de 10% em fevereiro e de 25% em junho) sobre oito países europeus, entre os quais seis Estados-membros da UE (Dinamarca, Suécia, França, Alemanha, Países Baixos e Finlândia) e dois outros (Noruega e Reino Unido).

Porém, já esta quarta-feira à noite, Trump recuou, ao anunciar um acordo com o secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO), Mark Rutte, sobre a Gronelândia, e a suspender a ameaça de tarifas.

Ainda assim, será realizada na capital belga a cimeira extraordinária convocada pelo presidente do Conselho Europeu, António Costa, para debater as tensões transatlânticas.

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