Carrinhos de supermercado carregados de legumes: mais saudável e mais barato

Parece magia, mas é ciência: investigadores da Universidade de Buffalo descobriram que, se o supermercado online encher discretamente o carrinho das famílias com ingredientes saudáveis, elas… compram-nos.

Carrinhos de supermercado carregados de legumes: mais saudável e mais barato
Supermercado

O estudo, publicado a 3 de dezembro na revista Appetite, testou uma ideia simples mas engenhosa: e se, em vez de tentar convencer as famílias a comerem melhor com longos discursos sobre nutrição, lhes facilitássemos a vida e lhes colocarem no carrinho tudo o que precisam para receitas saudáveis? Foi isso que fizeram, com a ajuda do Instacart — o equivalente norte-americano a um amigo que aparece em sua casa já com os sacos das compras e diz “vá, hoje comemos legumes”.

Como funcionou a experiência?

Durante quatro semanas, 69 famílias com crianças pequenas participaram na experiência. Todas receberam receitas saudáveis escolhidas a dedo (e de acordo com preferências familiares — ninguém queria transformar o jantar num festival de birras). Mas só metade recebeu o carrinho do Instacart já pré-carregado com os ingredientes certos.

Importante: ninguém foi obrigado a comer brócolos contra a sua vontade — os participantes podiam retirar, trocar ou adicionar itens livremente. Mas, como explica em comunicado Mackenzie Ferrante, coautora do estudo, “a maioria das pessoas fica com a opção padrão, a não ser que esteja muito motivada para mudar”.

Resultados: mais nutrição, mesmo preço

A equipa liderada por Stephanie Anzman-Frasca, especialista em pediatria e comportamento alimentar, verificou que as famílias que receberam o carrinho pré-preenchido compraram alimentos significativamente mais nutritivos do que aquelas que receberam só as receitas.

E, contra todas as expetativas — e talvez para choque dos pais que juram que comer saudável é “muito mais caro” — os gastos com as compras desceram ligeiramente para todos os participantes. Talvez por se aperceberem, ao preencher formulários semanais, da quantidade de “coisas só porque sim” que normalmente atiram para o carrinho, caso de bolachas, refrigerantes, entre outros produtos.

Crianças difíceis? O estudo pensou nisso

Entre os dois e os cinco anos, muitas crianças comportam-se como pequenos críticos gastronómicos: rejeitam tudo o que é novo e defendem ferozmente o território do bife com batatas fritas. Para evitar dramas familiares à hora da refeição, as receitas foram personalizadas conforme as preferências indicadas pelas famílias.

O estudo contou com apoio da Instacart e de várias unidades da Universidade de Buffalo, e até foi citado pela Casa Branca como exemplo de inovação contra a insegurança alimentar. Nada mau para um carrinho de compras cheio de verduras.

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