O chefe do governo espanhol, o socialista Pedro Sánchez, está de visita ao Brasil – e neste seu primeiro dia de visita repetiu uma prioridade que já tinha proposto noutras geografias: a luta contra os extremismos e os populismos de direita. O fenómeno afeta particularmente o Brasil – que passou quatro anos sob o comando de Jair Bolsonaro – mas não deixa de ter também forte impacto em Espanha, onde o Vox (cujo líder Santiago Abascal está por esta altura em Portugal) chegou a ‘amedrontar’ os dois principais partidos, o socialista do PSOE e os centristas conservadores do Partido Popular.
Segundo a agência Lusa, Lula da Silva recebeu esta quarta-feira Pedro Sánchez na sua primeira visita oficial ao Brasil desde que assumiu o cargo em 2018, tendo sido recebido no palácio presidencial do Planalto.
Em conferencia de imprensa, depois de uma reunião à porta fechada, o chefe de Estado brasileiro disse que o Brasil e Espanha são “duas grandes democracias que enfrentam o extremismo, a negação da política e o discurso de ódio alimentado por notícias falsas”.
“A nossa experiência no enfrentamento da extrema-direita que atua coordenada de forma internacional nos ensina que é preciso unir todos os democratas do mundo”, frisou Lula da Silva.
Em relação à discriminação racial, recordou que os dois países “têm registado episódios de racismo, de discriminação racial e de xenofobia, inclusive na área de `esportes` de grande público”, numa alusão ao jogador brasileiro de futebol que atua no Real Madrid Vinicius Jr, que tem sido alvo regular de atos racistas em Espanha.
Por outro lado, Pedro Sánchez frisou que os dois países ambicionam consolidar a relação política e institucionalizar o mecanismo de diálogo permanente. Pedro Sánchez falou ainda da importância de “defender a democracia dos ataques extremistas como os eventos do 8 de janeiro de 2023”.
Sánchez deslocar-se-á ainda hoje ao parlamento, onde visitará uma exposição sobre o violento assalto que milhares de militantes de extrema-direita lançaram em janeiro de 2023 às sedes dos três poderes, numa tentativa de derrubar o Governo de Lula.
A agenda de Sánchez em Brasília começou no início do dia, com um encontro com um grupo de empresários espanhóis que operam no Brasil.
O seu último compromisso em Brasília será uma visita ao Museu dos Povos Indígenas, partindo depois para São Paulo, onde na quinta-feira participará num fórum empresarial.
O primeiro-ministro espanhol segue depois para o Chile, onde será recebido na sexta-feira pelo presidente chileno, Gabriel Boric.
O presidente do governo espanhol tem usado o extremismo como um dos temas centrais das suas viagens ao estrangeiro. Em setembro do ano passado, usou a sua intervenção na sessão plenária da Assembleia Geral da ONU para afirmar que o mundo assiste a uma crise de desconfiança nas instituições democráticas “alimentada por movimentos reacionários que prometem um regresso a um passado que nunca existiu”.
Em defesa da democracia, o presidente do governo espanhol apontou para uma onda de extremismo e pensamento reacionário que cresce em todo o mundo, marginalizando e criminalizando minorias desfavorecidas e rejeitando a igualdade.